Adeus, velho filtro!
"Seja herói, seja marginal." Hélio proferia essas palavras antes de se eternizar nos livros de história. E, olha só, eu vivi como um herói, mesmo que muitos insistam em me rotular como vilão. Costumo dizer que as águas que navego são distantes, muito distantes daqui, e por isso estou sempre apressado, não quero perder minha embarcação.
Ah, Augusto! Se eu tivesse percebido desde cedo que a mão que acaricia também pode ser a mesma que apedreja, talvez eu tivesse me preparado melhor. Nunca imaginei a dor que isso poderia me causar. "Em que fase da vida estamos, em que fase vives tu?" Estamos sozinhos em meio a estranhos, sem saber quem realmente são aqueles ao nosso redor, a menos que conheçamos suas origens, suas histórias. Mas eu sei bem onde é meu lugar...
Meu lugar é onde o canto dos pássaros ecoa, onde um sambinha toca suave no pandeiro e na viola, onde escrevo frases ao vento sob a sombra de uma árvore, sentado em um velho banco azul. É ali que escuto o vento sussurrar, longe de toda a negatividade humana. Mas agora é hora de partir, de deixar para trás o velho filtro. Antes de ir, lembre-se:
Mude. Se alguma mudança não é justa, não permita que ela se prolongue, deixando apenas frustração. Não deixe que o fanatismo e o ódio se instalem ao seu redor. Transforme a injustiça em combustível para sua radicalização!
Defenda-se. Foram nossas mãos que moldaram os asfaltos, as ruas e os prédios. Tudo isso nos pertence. Nós plantamos e colhemos os frutos do nosso trabalho. Estamos aqui muito antes deles; este solo é nosso. Devemos lutar e nos defender, pois qualquer tentativa de desarmar nossa classe deve ser enfrentada, mesmo que isso exija força.
Reflita. Sabemos que o fanatismo religioso levou muitos a trocarem a liberdade pela escravidão do ego. A mente deles é alimentada pela perversidade; querem nos manter aprisionados em ilusões e moralismos. Mas nossa realidade vem de baixo, e estamos nas ruas desafiando as bombas de fumaça que tentam turvar nossa visão.
Tenho caminhado por praças, ruas, becos, esquinas e barracos. Mas agora é hora de voltar e lutar pelos meus ancestrais e antepassados. Adeus, velho banco azul, adeus, velho filtro! Agora é o momento de honrar o ventre que me gerou e mostrar que o filho deste solo não foge à luta.
By: Eudivan Junior
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