5 dias

Ultimamente os dias não estamos sendo fáceis. A velha sensação supérflua mais uma vez corrói o meu peito. Sinto que o tempo que passa em volta de mim gira mais devagar, se passam um, dois, três, quatro, cinco dias... Nada faço, apenas deitado, a espera de um atendimento.

Tenho vários planos pela frente, ainda pretendo fazer aquele documentário que os produtores tanto botaram fé que iria para frente, mas por trás de tudo, há uma grande especulação, que tentam esconder das pessoas por baixo dos panos. Por isso, eu e minha equipe até agora não tivemos o projeto aprovado.

Já ouvi bastante vezes que eu sou um gênio, mas até as ideias mais geniais acabam sendo interrompidas por algum imprevisto que essa vida faz surgir. Então, me pergunto, muita das vezes: Do que adianta ser um gênio, em um sistema que é falho e totalmente dissimulado? 

Escrevo isso por que tou cansado. E escrevo por que se eu não faço mais nada, eu penso merda pra um caralho. Quantas vidas vão ter que serem perdidas para finalmente perceberem que o povo precisa de ajuda? Quantas pessoas tem que perder o lugar a aonde vive, para esse sistema servir apenas para aqueles que possuem o capital? Tá tudo errado, e eles fazem uma curtina de fumaça para tampar nossa visão, mas tem muita coisa por debaixo do tapete. 

A desigualdade social cada dia mais aumenta, é rico colocando pobre contra pobre, as filas cada vez mais aumentando, a espera de saúde, de alimentação, de trabalho, é tudo uma lástima, tá tudo errado! 

Agora são exatamente 18:06, e escrevo esse desabafo. É muito bom saber que tem muita gente agora que acompanha meus textos, é da hora saber que, de alguma forma, eu tou inspirando leitores. Mas agora, nesse momento, eu tou cansado. Bloqueado criativamente pq não encontro nenhuma motivação. Nem mesmo nos textos de meus autores e autoras preferidas. Só me pergunto: Até quando eu irei existir? Talvez eu só esteja falando palavras ao vento, e talvez, falte até um pouco de coerência textual. Mas digo: Sentimentos falam mais do que limitações gramáticas.

Tô sem motivação pra escrever, sem motivações amar, sem motivações pra curtir, sem motivações pra sair, sem motivações pra voltar. Meu eu de 17 anos, com certeza se sentiria satisfeito com a vida que estou levando agora. Afinal, é a que eu sempre quis. Mas, mal sabia eu, que no futuro, a sensação de estar livre, seria cada vez mais sem sentido pra estar. Afinal, somos humanos, e fomos condenados a ser livres. 

Como um espelho distorcido de tudo que já vivi, e de cada cicatriz que carrego em minha alma. Poderia ter morrido dias atrás, mas isso não aconteceu. Talvez o universo tenha me dado uma segunda chance, ou talvez eu seja ruim demais para a morte me levar. 

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